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Clinica









Trabalhadores dependentes químicos: acompanhamento deve ser multidisciplinar


Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), 250 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos no mundo haviam usado pelo menos uma droga em 2014. No Brasil, entre 2009 e 2013, o número de auxílios-doença concedidos por transtornos mentais e comportamentais pelo uso de drogas aumentou mais de 50%.

O crescimento da presença dessas substâncias, lícitas ou ilícitas, no cotidiano dos trabalhadores, assim como os quadros de dependência química tornam o tema também cada vez mais presente nas empresas e no cotidiano dos médicos do trabalho.

“A mais comum e que causa maiores problemas é o álcool. Envolve faltas, atrasos, conflitos de trabalho, erros, retrabalho, presenteísmo, entre outras preocupações. O tabaco tem prejuízos importantes, mas que não se relacionam diretamente ao trabalho, mas com consequências percebidas na saúde global do trabalhador. Em terceiro lugar, há o crescimento da cocaína e seus derivados, com problemas semelhantes aos do álcool”, pontua o psiquiatra Dr. Ricardo do Amaral, que ainda enumera o consumo de opioides, especialmente entre profissionais da área de saúde.

A duração do acompanhamento, suas consequências e fatores externos são obstáculos do processo. “A maior dificuldade é lidar com o que pacientes, colegas, chefes, supervisores, familiares e amigos pensam sobre ‘cura’. O processo tende a ser longo e envolve principalmente os prejuízos, ou danos, identificados pela pessoa que procura ajuda”.

O quadro deve ser definido para que o acompanhamento do trabalhador seja adequado. Além da dependência em si, é preciso avaliar as relações com colegas de trabalho, convívio familiar e social, lazer, estresse, atividades físicas, entre outros pontos.

Segundo Dr. Ricardo, o tratamento deve abranger diversas áreas, além da médica. “Precisamos desenvolver acompanhamentos abrangentes e longitudinais. Profissionais das áreas de psicologia, serviço social, enfermagem, educação física, nutricional são importantes da mesma forma”.

Além dos cuidados médicos ao indivíduo, o envolvimento da empresa e demais trabalhadores em torno do tema contribui para o tratamento adequado. “É preciso envolver todas as pessoas interessadas, promover a prevenção e estimular os locais de trabalho a rever determinadas posturas relacionadas à omissão e à punição, atitudes extremas que só contribuem para piorar o problema”, alerta.



Data: 18/02/2019




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